Turismo Cultural: Lendas e contos da chamada “terra de brasilis”

Todas as regiões da chamada “Terra de brasilis” guardam muitos mistérios. A mata amazônica é perfeita para esconder segredos sob as sombras das folhas e troncos de suas árvores. Já o sertão nordestino é árido o suficiente para acobertar um dragão!

Um país tão diversificado na cultura, com influências negras, indígenas e portuguesas por toda a parte, só poderia criar lendas e mitos riquíssimos. Aqui vão algumas das pérolas mais famosas do folclore brasileiro em cada região do país!

  • Região norte: Boto

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Ao cair da noite, um homem muito belo se levanta das águas de um rio vestido inteiramente de branco. Ele é o boto, um formoso conquistador de jovens mulheres. Seu look é completado por um chapéu branco para disfarçar seu nariz grande – única coisa que confessa o contorno do seu corpo original. Seu charme e elegância são tamanhos que ele enlouquece todas as meninas da região em noites de festa junina, se transformando no mais requisitado homem da festividade. Ele atrai uma bela donzela desacompanhada, a leva para o fundo do rio e, ali, a engravida. Na manhã seguinte, volta a sua real natureza.

A região norte é a das mais ricas na criação de mitos no Brasil e uma de suas (e do país!) mais famosas lendas é a do boto. Acredita-se que esta fábula era utilizada por mães solteiras para disfarçar sua situação que, em épocas passadas, era considerada degradante. A expressão “filho de boto” vem dessa história.


  • Região nordeste: Quibungo

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A lenda do Quibungo fala sobre um Bicho-Papão de cor negra. Esta criatura faz parte do folclore local da Bahia. O Quibungo teria origem na cultura africana. Ele seria uma variação da Cuca, uma criatura que tinha o objetivo de assustar as crianças. A lenda do Quibungo é contada no nordeste para disciplinar as crianças rebeldes e que não dormem cedo.


  • Região Centro-Oeste: Romãozinho

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Crianças travessas são um tema muito recorrente entre as lendas brasileiras. Isso porque a maior parte desses mitos eram usados para fazer as crianças desobedientes tremerem na base!

Uma das mais conhecidas para as crianças do centro do Brasil é a lenda do Romãozinho. Nela, um menino fica encarregado de levar um pacote com o almoço de seu pai, que a sua mãe preparou. No caminho, ele come toda a comida e só deixa os ossos do frango. Ao entregar o embrulho ao pai, diz que a sua mãe comeu tudo juntamente de um amante e só enviou as sobras para ele. Enfurecido, o pai volta para casa e mata a esposa.

A mãe, que não tinha culpa nenhuma, joga uma maldição sobre o filho: ele nunca morrerá e ficará vagando eternamente, sem jamais crescer. Alguns acreditam que, até hoje, a criança fica vagando por aí, fazendo todo tipo de peripécias, travessuras e malvadezas.


  • Região sudeste: Curupira

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Um dos mais populares e espantosos entes fantásticos das matas brasileiras. O curupira, currupira ou caipora é representado por um anão, cabeleira ruiva, pés ao inverso, calcanhares para a frente. A mais antiga menção de seu nome é de José de Anchieta, em São Vicente, em 30 de Maio de 1560:

É coisa sabida e pela boca de todos corre que há certos demônios, chamam Curupira, que acontece aos índios muitas vezes no mato, dão-lhe açoites, machucam-nos e matam-nos. São testemunhos disso os nossos irmãos, que viram algumas vezes os mortos por eles.Por isso, costumam os índios deixar em certo caminho, que por ásperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e outras coisas semelhantes, como uma espécie de oferenda, rogando fervorosamente aos Curupiras que não lhes façam mal

Para enganar os estrangeiros, os nativos marcavam o caminho com folhas, pedras e rochas e andavam de costas para deixar rastros ao contrário, forjando uma trilha ao inverso, sendo impossível de rastreá-los.


  • Região sul: Negrinho do Pastoreio

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O Negrinho do Pastoreio é uma lenda afro-cristã muito contada no final do século XIX pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão, sendo muito popular na região Sul do Brasil.

Na versão da lenda escrita por João Simões Lopes Neto, o protagonista é um menino negro e escravo de um fazendeiro rico e muito mau; este menino não tinha padrinhos nem nome, sendo conhecido como Negrinho, e se dizia afilhado da Virgem Maria. Após perder uma corrida e ser cruelmente punido pelo fazendeiro, o Negrinho caiu no sono, e perdeu o pastoreio. Ele foi castigado de novo, mas depois achou o pastoreio, mas, caindo no sono, o perdeu pela segunda vez. Desta vez, além da surra, o fazendeiro jogou o menino sobre um formigueiro, para que as formigas o comessem, e foi embora quando elas cobriram o seu corpo. Três dias depois, o fazendeiro foi até o formigueiro, e viu o Negrinho, em pé, com a pele lisa, e tirando as últimas formigas do seu corpo; em frente a ele estava a sua madrinha, a Virgem Maria, indicando que o Negrinho agora estava no céu. A partir de então, foram vistos vários pastoreios, tocados por um Negrinho, montado em um cavalo baio.

Fontes de pesquisa: Wikipédia, Viagem no Tempo.

Salomão, ANeto
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Salomão, ANeto

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